A rainha da gema
- biologar

- 1 de nov. de 2022
- 2 min de leitura
A pérola mais antiga descoberta até hoje é datada de 5800 anos A.C., na Idade da Pedra, perto da capital dos Emirados Árabes. A origem do nome vem dos romanos, de "pirla" diminutivo de "pira" que significa formato de lágrima e muitos significados são atrelados às pérolas: pureza, amor, castidade, inocência.
Seu valor esta atrelado a sua raridade natural, isso porque apenas 1 entre 10 mil de ostras produz uma pérola com formato desejado. Isso acabou levando diversas espécies de ostras à beira da extinção, quando não extintas mesmo, já que para retirar a pérola era preciso matá-las abrindo.
Apenas no séc. 19 com o avanço das técnicas de aquicultura e produção artificial de pérolas (Japão e China). A Unesco declarou recentemente a área marinha do Barein como Patrimônio Mundial devido ao seu valor natural e cultural e que o governo está interessado em preservar a memória da atividade que sustentou a região por muitos anos.
A pérola é o resultado de uma reação de defesa das ostras contra um organismo estranho que entra na concha. Esse organismo pode ser um grão de areia, um pedaço de coral, um parasita. Como proteção a ostra passa a encapsular o corpo estranho com uma camada de nácar, mais conhecida como madrepérola e ao longo de anos forma a pérola.
A pérola pode ser redonda, oval, formato de gota, achatada, sem formato (chamada de barroca) de diversos tamanhos e cores, como negras, lilás, verdes, rosas, brancas, amarelas, arco-íris, dependendo da espécie de ostra e distribuição nos mares.
As mais valorizadas são as mais redondas, maiores e de espécies mais raras como a negra provinda do Taiti e Filipinas. A maior pérola do mundo tem 27,65 quilos e está avaliada em 80 milhões de euros. Foi comprada em 1959 de um pescado nas Filipinas.
As técnicas de aquicultura envolvem processos de abertura das ostras tanto para inserir o corpo estranho como para checagem e aproximadamente metade das ostras que iniciam esse processo são perdidas ao longo do procedimento.
As pérolas podem levar de 6 meses a 6 anos para ficarem prontas, dependendo do tipo de núcleo inserido nas conchas. Ao final, somente 5% das pérolas produzidas terão qualidade suficiente para serem envolvidas na produção de grandes joalherias de luxo.
As ostras são moluscos filtradores e dependem de água de qualidade e alimento para sobreviverem, mas o processo de acidificação dos mares, atinge suas conchas e leva ao óbito devido as condições desfavoráveis (alimento, temperatura e qualidade de água). Assim, o processo natural de equilíbrio do ph é mais atingido e a longo prazo há menor reposição de cálcio liberado das conchas que ajudaria a aumentar o ph.
Nos últimos tempos houve a popularização de pérolas de água doce, sabe como é produzida?
O processo de produção delas é bem mais numeroso e ao invés de ostras são utilizados mexilhões que suportam a inserção de muitas partículas para formar a pérola (de 20 a 60 unidades de pérolas por indivíduo).
Além disso, o mesmo mexilhão pode ser cultivado por 3 vezes! Por essa e outras razões o valor é bem menor. Ah, fora que nessas condições raramente se atinge o formato redondo mais caro.
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Até a próxima!




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