Amazônia e além
- biologar

- 30 de abr. de 2021
- 4 min de leitura
Você já deve ter ouvido falar sobre a Floresta Amazônica ser chamada de "pulmão do do mundo" por ser a principal fonte de oxigênio do mundo, será que é isso mesmo?
Antes deixa eu te avisar, esse conteúdo esta disponível no podcast e no @biologaroficial.
Seguindo nosso objetivo de trazer informação, vamos falar um pouco sobre o papel ambiental da Floresta Amazônica que sempre esta ligado a temas polêmicos seja quanto as queimadas, desmatamento agora com triste situação envolvendo COVID-19, política e a população.
O maior bioma brasileiro:
- Esta localizado nos estados do Amazonas, Rondônia, Pará e Roraima. Além de porções menores na Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Guiana, Suriname e Guiana Francesa;
- É a maior floresta tropical do mundo;
- Concentra enorme biodiversidade, espécies de animais e vegetais. Além das espécies endêmicas que são espécies que ocorrem somente nesse local e em nenhum outro lugar do mundo!
- De clima equatorial: quente e úmido (22°C - 28°C)
Se considerarmos a palavra "pulmão", esta até que correto se considerarmos que o pulmão é um órgão responsável pelas trocas gasosa, mesma função da fotossíntese é capturar CO2 e liberar O2. Lembrando que caso tenhamos um floresta doente ou áreas degradas, essa eficiência reduz. E além da fotossíntese, as folhas também respiram, ou seja, consomem O2 e devolve CO2 para a atmosfera, não há emissão extra de O2 na atmosfera que possa ser utilizado por outros seres vivos.
Quando se fala "pulmão do mundo", estudos do Instituto Brasileiro de Florestas indicam que as algas marinhas produzem oxigênio em excesso que é liberado na água e fica disponível nas atmosfera para todos os outros seres vivos. Esse processo representa ~54% do oxigênio do mundo. E é por isso que há tanta preocupação com a poluição dos oceanos pelo micro plástico. Cuidado com fake news!
A Floresta Amazônica possui papel importantíssimo para o equilíbrio das temperaturas na America Sul tanto que sofre influência direta da La Niña. Já ouviu falar do fenômeno dos "rios voadores"? De forma muito eficiente, as árvores da floresta amazônica tem capacidade de devolver água das chuvas para a atmosfera em forma de vapor d'água que é direcionado e cai em forma de chuva em outras regiões (toda região sul da América do Sul). Para você ter uma ideia, uma árvore de 10 metros de diâmetro pode bombear para atmosfera mais de 300 litros de água em forma de vapor em um dia.
Os incêndios e o desmatamento são devastadores para biodiversidade, para população local (incluindo indígenas), na produção agrícola. Fora o desequilíbrio climático nas variações de temperatura e de do ciclo regular das chuvas.
Já ouviu falar do rio com mais de 6.000 km de extensão? E não estamos falando do rio Amazonas, nem do rio Negro. Se trata de um rio subterrâneo paralelo ao rio Amazonas e foi descoberto em 2010 pela pesquisadora Elizabeth Pimentel. Ele nasce na Cordilheira do Andes no Peru e segue em direção ao Acre. A partir daí segue pelos estados do Amazonas, Amapá e Pará até desaguar no mar.Você deve ser perguntar como nunca ouviu falar sobre isso antes porque até parece mentira né, mas um dos pontos é que esse rio é subterrâneo e esta a mais de 4 km abaixo do rio Amazonas.
Esse rio foi descoberto de forma inesperada, a pesquisadora iniciou levantamentos sobre o fluxo geotérmico da região (ou seja o fluxo do calor proveniente do centro da Terra) medindo a temperatura de fundo dos poços perfurados pela Petrobras na década de 70. Foi identificado que a região Amazônica apresentava temperaturas mais frias que outras regiões e investigando verificou que o modelo do fluxo de fluídos era o que melhor representava as varições de temperatura. E a partir disso constatou-se que havia um fluxo de água subterrânea. Além desse fluxo de água, foi identificada a nascente e foz com vazões e velocidades de deslocamento variadas.
O rio Hamza é formado pela água que penetra no solo e que flui para os reservatórios subterrâneos - profundidades a partir de 2.000 metros. Sua extensão coincide com a da bacia Amazônica. O que muda é a velocidade de deslocamento da água que no rio Hamza é de 218 metros por ano, enquanto que a velocidade do rio Amazonas é de 5m/s. Há quem descorde deste descobrimento, porém ainda não há nenhum estudo que o conteste. Podemos concluir que há um grande reservatório de água no subterrâneo, porém ainda é inacessível pela ausência de tecnologia. Então quando falamos de Amazônia falamos da floresta, dos animais, do povo que mora lá, do ciclo da água que influencia os biomas do Brasil inteiro, da produção agrícola além de todo potencial ainda não descobertos como princípio ativos para remédios, presença de reservatório de água e as espécies de animais e plantas ainda desconhecidos.
Não é a toa que há grande interesse internacional nessa região, lembrando que esse interesse pode ter os 2 lados, devido a riqueza de dados da região, como a defesa de interesses diferentes dos nossos, mas isso fica para um próximo post.
Fonte: Toda Matéria, Super Interessante; Ciclo Vivo; G1; DW; Conexão Planeta; Fapesp; Portal Amazonia;




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