Amazônia e as drogas
- biologar

- 6 de mai. de 2021
- 3 min de leitura
Esse é o 3º post sobre Amazônia, eita lugar rico em informação!
O tema de hoje é ainda pouco comentado sobre a Amazônia: drogas. Entenda como o cenário atual do trafico de drogas acomete impacto ambiental.
Ah se preferir, esse conteúdo também esta em formato de podcast, ouça através das plataformas de áudio!
Atualmente o Brasil é o principal exportador de cocaína da América Latina. Servindo de ponte entre os produtores e enviando para Europa (Bélgica e Itália), Europa oriental e finalmente Ásia. Os principais produtores são Peru, Bolívia, Colômbia e agora o Brasil com explosões de cultivo na Amazônia. Desde de 2016 o Brasil vem ocupando o primeiro lugar entre os cinco principais países fornecedores de drogas segundo a OEDT - Agência Antidrogas da União Européia. Até então, os principais fornecedores eram Colômbia, Venezuela, Portugal, Equador e Chile.
Com o aumento da produção houve a queda do preço no mercado interno, levando os produtores e as organizações criminosas a se especializarem na exportação. Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) só na Europa esse comércio movimenta mais de 9 bilhões de euros por ano. Em 2019 foram apreendidas 105 toneladas de drogas no Brasil, 32% a mais que 2018, mas ao que tudo indica não tanto pelos esforços fiscalizadores mas sim pelo aumento da produção. A região norte do Brasil é dominada pela organização criminosa chamada Família do Norte (FDN) que em 2016 com o apoio do Comando Vermelho (CV) contra o Primeiro Comando da Capital (o PCC) tomou conta da rota de drogas vindas da fronteira tríplice (Colômbia, Peru e Brasil) até Manaus pelo rio Amazonas com destino aos portos do nordeste para travessia até a Europa. Em fevereiro de 2020 o CV tomou vários território da FDN que estabeleceu parcerias com as FARC na Colômbia com Los Caquiteños. O PCC por sua vez também fez parcerias, mas com a máfia Italiana e domina a rota da Bolívia, Paraguai e sudeste do Brasil com destino principal ao porto de Santos.
E o que tudo isso tem a ver com o meio ambiente? Além dos danos diretos causados, como:
- desmatamento para plantação de coca;
- desmatamento para construção de pistas de pouso clandestinas;
- desmatamento para produção de pasta de coca;

- incêndios causados propositalmente para queima de arquivo desses laboratórios.
Sabemos que em um período do ano devido ao clima mais seco, algumas regiões estão suscetíveis as queimadas até pela quebra de dormência de algumas sementes, mas quem consegue garantir o que esta de fato ligado a essas queimadas?
Outros pontos são as invasões em áreas indígenas, controle de tráfego das pessoas em rotas dos rios causando impacto pelas embarcações, poluição, caça e assim por diante. Existem infindáveis danos indiretos, pois as organizações criminosas utilizam a pobreza extrema, principalmente de jovens, como aliada para persuadir adeptos através do dinheiro, facilidade ao acesso à medicamentos, alimento e outros produtos básicos.
Com a situação econômica atual com a pandemia é possível prever um agravamento do tráfico de drogas no Brasil. Os traficantes se instalam em meio as comunidades pobres no país todo para que ela sirva de proteção, portanto realizam loteamentos clandestinos, controle de acesso a áreas de preservação, controle do fornecimento de água e luz. Também dominam por chantagem ou comprando agentes penitenciários, trabalhadores dos portos e instituições governamentais fragilizadas.
O Brasil faz divisa com 10 países diferentes e possui 15.700 km de fronteiras carentes de infraestrutura básica e segurança. Em dezembro de 2019 foi inaugurado o CIOF (Centro Integrado de Operações de Fronteira) em Foz de Iguaçu. O principal objetivo é o combate ao crime organizado, tráfico de drogas e consequentemente armas, animais, lavagem de dinheiro entre outros. Essa unidade atua principalmente na fronteira com o Paraguai e Argentina e integra informações na tentativa de agilizar as ações. Fazem parte desse centro:
- Polícia Federal
- Agência Nacional de Inteligência
- Ministério da Defesa
- Unidade de Inteligência Financeira
- Receita Federal
- Polícia Rodoviária
- Cooperação Jurídica Internacional
- Departamento Penitenciário
Consegue perceber que os assuntos se entremeiam como uma rede? A venda da maconha também financia as organizações criminosas, aliás o tráfico de drogas financia a maior parte dos contrabandos: de armas, de adultos e crianças, de animais silvestres e também o terrorismo no Brasil e no mundo. Nessas horas não parece muito exagero afirmar: se não houver comprador não haverá quem venda, mas em geral, as pessoas são especialistas em arrumarem desculpas para a compra de drogas, desde um "ah, maconha não vicia, eu me controlo" ou "ah, só um pino não vai fazer diferença, eu tenho direito de relaxar". Tenho certeza que você já ouviu alguma dessas frases e tenho certeza que quem falou nem estava pensando em toda a rede envolvida.
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