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Animais topo de cadeia

  • Foto do escritor: biologar
    biologar
  • 3 de nov. de 2021
  • 4 min de leitura

Hoje vamos conversar um pouco sobre os animais topo de cadeia alimentar porque eles são muito mais que apenas predadores no ecossistema em que vivem e que regulam o crescimento populacional de suas presas.


Para começar, os animais topo de cadeia sempre fascinaram, a humanidade e muitas vezes esses animais se tornam símbolos de força, superioridade e acabam ligados à status e poder no mundo dos homens. Para exemplificar isso é só lembrar das cenas dos animais do Pablo Escobar, do tigre de Mike Tyson e assim por diante. Entretanto, na maior parte dos casos ao invés do fascínio, quando se trata da aproximação de algum dos animais topo de cadeia, as pessoas se apavoram e querem mais e se livrar do animal sem que se corra o risco de encontrá-lo novamente. Então esses animais são caçados sem lembrar que a população desses animais é naturalmente pequena, os deixando bastante vulneráveis.


De fato, desde tempos pré-históricos os humanos ajudaram a levar estes predadores à extinção, incluindo tigres dente-de-sabre e répteis gigantescos. Mais recentemente, destruição do habitat e caça predatória deixaram muitos predadores-chave, incluindo o tigre siberiano, o tubarão-branco e o lobo etíope à beira da extinção; e quando predadores desaparecem, ecossistemas se desmancham. Ursos, crocodilos, tubarões brancos, baleias cachalotes, pumas, onças, leões, lobos, diversas espécies de aves de rapina são outros exemplos de animais topo de cadeia em seus ecossistemas e como dito.


O papel ecológico desses animais é mais amplo que controlar o crescimento da população de suas presas. Por exemplo, você sabia que a maior influencia de tubarões no ambiente não é a sua alimentação, mas sim no comportamento de suas presas? Basicamente, eles convencem as criaturas do oceano a manter distância, a mera presença de tubarões dita em que lugar outros organismos como golfinhos, peixes, tartarugas e até aves vão ficar e formar um ecossistema. O fenômeno foi muito bem documentado na Shark Bay, Austrália; essa região é moradia para uma das maiores populações de tubarões-tigres, um predador que pode atingir 5 metros de comprimento e 630 kg.


A baleia Cachalote reina no Oceano Antártico, cetáceo classificado como o maior predador com dentes do planeta, pode atingir até 15 metros de comprimento e mergulhar a 2.250 metros de profundidade para caçar lulas gigantes. Entretanto, mais do que um poderoso caçador, a cachalote é um importante fertilizador. Isso mesmo! Depois de se alimentar nas profundezas, a cachalote volta à superfície para defecar excrementos ricos em ferro. Chamadas de “cocô-namis”, eles são como fertilizantes para os fitoplânctons, os micróbios fotossintéticos que, coletivamente, são responsáveis por 50% da retirada de carbono da nossa atmosfera todo ano. Um estudo publicado na Proceedings of the Royal Society B descobriu que o excremento da cachalote é responsável por absorver cerca de 200 mil toneladas de carbono das profundezas do oceano. E este número poderia ser 10 vezes maior caso a caça não tivesse diminuído a população das cachalotes.


Outro exemplo que não podemos deixar de mencionar é o do lobo cinzento, que já foi um dos animais mais bem distribuídos do mundo. Historicamente, estes lobos percorreram todo o norte de metade das Américas, mas por volta do século XX, campanhas de caça eliminaram o animal de 48 estados dos Estados Unidos. Antes da extinção, o lobo cinzento americano era o principal predador de cervos, alces, bisões e caribus, além de muitos outros mamíferos menores. Quando os lobos desapareceram, o número de cervos disparou, com algumas populações registrando seis vezes o tamanho original. Fora de controle, cervos são como cortadores de grama, destruindo cascas de árvore e acabando com certas plantas. Isso pode diminuir a quantidade de carbono que uma floresta armazena, impactando na diversidade das plantas, além de enfraquecer a resistência da floresta a futuros distúrbios. Conforme noticiado pela Science, a reintrodução de lobos ao Parque Nacional de Yellowstone permitiu que algumas das áreas anteriormente devastadas pelos cervos se reflorestassem, o que aumentou absorção de carbono da floresta.


Os lobos também providenciam outros serviços essenciais, como a diminuição da propagação de doenças infecciosas. Em décadas recentes, a Doença de Lyme, transmitida por carrapatos e encontrada em todo território norte americano, está em ascensão, com mais de 1000% de crescimento em algumas áreas. Desde o desaparecimento dos lobos, os coiotes receberam o status de predadores principais. Coiotes caçam carnívoros menores, incluindo raposas, que, por sua vez, caçam pequenos herbívoros e mamíferos — principais transportadores dos carrapatos. Mais coiotes significam menos raposas, causando o crescimento de populações inteiras destes transportadores de carrapatos.


Para realizar estudos de influencia no meio são necessárias décadas de estudos de diversos especialistas e setores, pois a regeneração da natureza e suas influencias não ocorre de forma imediata, constante e nem semelhante entre áreas, pois se uma variável, como por exemplo o vento mudar, o resultado também vai mudar.


E por último, os animais topo de cadeia que são resgatados machucados e passam por tratamento antes de serem soltos jamais devem ser humanizados, ou seja, tratados como um bebe, pelo próprio bem do animal, ele precisa ter seus instintos aguçados, uma musculatura em boas condições, folego e dentição perfeita para conseguir caçar e sobreviver sozinho e não estar ligado ao homem. Você se lembra de ter visto algo na mídia diferente disso? Não é muito difícil vermos a humanização desses animais né. Tente não apoiar essa ação, ok?


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