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Animal perdido na praia, como ajudar?

  • Foto do escritor: biologar
    biologar
  • 27 de mai. de 2021
  • 4 min de leitura

Você já deve ter se deparado com um animal marinho morto na praia, certo? Se não, você saberia o que fazer? Imagino que o primeiro impulso seria sair correndo e arrastar o animal para água como um ato heroico.


Saiba como realmente ajudar no caso de encontro de animais na praia nesse post. Ah esse conteúdo também esta disponível em podcast.


Vamos lá, ao longo do ano existe um padrão nos períodos mais propícios para encontrar animais marinhos na praia:


  • Lobos marinhos e pinguins: durante primavera e outono sendo que o pico é no inverno;

  • Tartarugas e toninhas (uma espécie pequena da ordem das baleias que é ameaçada no atlântico sul): aparecem no ano todo com o pico no verão e primavera;

  • Baleias (como a jubarte e franca): se aproximam do litoral do Brasil na época de reprodução entre julho e novembro quando são beneficiadas pelas correntes de águas quentes.

Nos próximos meses entraremos nos períodos em que mais se encontram animais marinhos vivos e mortos nas praias brasileiras. E se você estiver nos ouvindo de fora do Brasil, os procedimentos de primeiros socorros a serem adotados são os mesmos só mudará o período do ano.




Será que você sabe por que os animais chegam na praia?


Os motivos são vários e variam conforme o grupo de animais:


  1. Pesca por redes e descarte indevido de lixo

  2. Animais desnutridos ou machucados

  3. Focas, lobos e leões marinhos dificilmente permanecem na praia devido a encalhes, mas os jovens que não conseguem acompanhar seu grupo durante a migração para águas mais quentes, esses jovens inexperientes acabam vindo até a praia para se aquecer ou para descansar e retornam para água se não estiverem gravemente feridos ou desnutridos

  4. Baleias e golfinhos, além do mesmo motivo dos lobos e leões marinhos ocorre também a desorientação de seus radares naturais, seja por causas naturais como a topografia do fundo do mar, toxinas liberadas por alguns tipos de algas, tempestades fortes, doenças, ataques de predadores e perseguição à cardumes que fogem para águas rasas. Como por causas humanas como a interferência dos sinais dos sonares, poluição luminosa, sonora, lixo e pesca predatória

  5. Aves, além do cansaço e desgaste durante as migrações, a maior causa dos aparecimentos estão relacionadas à ingestão de lixos ou até casos onde se prendem a um pedaço de plástico ou redes de pesca impedindo seu movimento natural

  6. Tartarugas e toninhas na praia estão relacionados a óbito por afogamento, por terem ficado presos à redes de pesca sem que pudesse subir até a superfície para respirar.

Agora que você conhece os motivos do aparecimento de animais marinhos nas praias não fica difícil chegar à conclusão de que se forçarmos um animal voltar a nadar, ele pode até se afastar por medo nadando dando aquele sensação de que funcionou e foi salvo, mas a chance de ele morrer de cansaço nas águas ou ser levado pela correnteza para outra praia é grande e a cada vez que isso acontece a chance de receber ajuda de fato diminui. Só um especialista na área tem condições de saber o estado nutricional e se o animal tem capacidade de retorno ao mar.


Mas como ajudar esses animais?


Mesmo que ele já esteja morto você pode ajudar para que outros não morram ligando para as bases criadas especi especialmente para esses casos. Entre 2001 e 2002 foi criado o Programa de Monitoramento de Praias (PMP) como condicionantes de processos de licenciamentos ambientais principalmente nas atividades de pesquisa e exploração em regiões marinhas de hidrocarbonetos, o petróleo (seja óleo ou gás natural). Esse programa atua desde da região sul ao nordeste no Brasil, então possui diferentes bases para atender toda a extensão. Por exemplo, o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) mantém, em parceria com instituições especializadas, bases de apoio, unidades de estabilização ou centros de reabilitação para o atendimento a animais marinhos que encalham nas praias. No litoral de São Paulo são quatro: Instituto Argonauta, Instituto Gremar, Instituto Biopesca e IPeC. Veja os telefones de contato:


  • PMP- Bacia de Santos: Instituto Biopesca nos números: 0800-642-3341 (horário comercial) ou 13 99601-2570 (ligação a cobrar/WhatsApp).

  • PMP-Bacia de Campos-Espírito Santo 0800 00395005

  • PMP Bacia Sergipe-Alagoas 0800 0793434

  • Bacia de Potiguar (PMP-BP)0800 642 3341


Enquanto a ajuda não vem, lembre-se de:


- Manter distância e orientar outras pessoas a fazerem o mesmo para que o animal não fiquei ainda mais estressado e com medo. Mesmo se o animal estiver morto a sua ligação para essas bases ajuda muito o monitoramento do que está acontecendo nas praias

- Tirar fotos de longe (30 metros) para que não corra o risco da transmissão de doenças dele para você e vice versa (a pele deles possuem colônias de micro-organismos que são nocivas à nós

- Não deixe animais domésticos se aproximarem dos animais marinhos que aparecem na praia, isso irá aumentar muito o estresse dele, além do risco de acidentes por ataques

- Conforme a orientação recebida ao telefone e também conforme a espécie (por isso é necessário o auxilo técnico) é possível ajudar proporcionando sombra, umedecendo a pele (respeitando o orifício de respiração no caso do golfinho), e nunca tentar mover um animal encalhado, principalmente se for pesado correndo o risco ainda de deslocamento de nadadeiras.


Não se esqueça que existe um ciclo natural da vida e cada animal tem o seu papel ecológico na cadeira alimentar. Além de que os animais mais aptos tem maior chance de sobrevida para perpetuar a espécie. As praias não foram feitas só para gente e como em todo ecossistema natural, tudo se transforma.. A disponibilidade de matéria orgânica provinda de carcaças em quantidade natural na areia da praia também precisa estar em equilíbrio para manter a todo o ciclo de vida nesse ambiente.


Salve os telefones úteis em sua agenda para os casos de encontro de animais marinhos nas praias.

 
 
 

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