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Arqueologia glacial

  • Foto do escritor: biologar
    biologar
  • 1 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

O aquecimento global e todas as catástrofes relacionadas a ele, inclusive o consequente descongelamento das geleiras não é novidade.


Mas olhando por outro viés, há um campo de estudo que se beneficia com a mudança climática: os grupos de arqueologia glacial.


A arqueologia Glacial foi alavancada em 91 quando alemães avistaram um cadáver no lado italiano da fronteira austríaca. O corpo havia sido confundido com o de um alpinista, mas por meio de datação do carbono descobriu-se que se tratava de um cadáver de 5,3 mil anos, apelidado de Ötzi. Ele tinha mais de 40 anos e geneticistas descobriram que há 19 parentes vivos dele na região do Tirol na Áustria.


A múmia congelada preserva uma bela coleção de tatuagens de Idade do Cobre (mais de 50) o cobrindo da cabeça aos pés. Outro ponto interessante é que essas tatuagens não foram produzidas usando uma agulha, mas fazendo cortes finos na pele e depois esfregando carvão.


O resultado foi uma série de linhas e cruzamentos localizados principalmente em partes do corpo que são propensas a lesões ou dor, como as articulações e ao longo das costas. Isso levou alguns pesquisadores a acreditar que as tatuagens marcaram pontos de acupuntura.


Seu estômago tinha 30 tipos diferentes de pólen e a análise desse pólen mostra que Ötzi morreu na primavera ou no início do verão, e até permitiu que os pesquisadores rastreassem seus movimentos por diferentes elevações de montanhas, pouco antes de morrer. Sua última refeição parcialmente digerida sugere que ele comeu grãos e carne de cabrito duas horas antes de seu terrível fim.


Deu para perceber o que falamos sobre o patrimônio histórico da humanidade! A partir de então estão ocorrendo diversos outros pontos de derretimentos e exposição de sítios inteiros arqueológicos na Mongólia, no Ártico, no Chile, Canadá, Noruega, Russia, Alpes Suíços e etc. Lembra que 10% da massa terrestre está coberta de gelo.


O que é um desafio, pois esses arqueólogos podem trabalhar apenas por um período bem curto entre agosto e setembro (entre o derretimento e o início da nevada seguinte). Da década de 90 para cá, de início eram encontrados artefatos e múmias datadas de mil anos (Idade do ferro) à Idade media, mas atualmente já estão sendo expostos materiais da Idade da pedra (até 10 mil anos).


É possível notar os movimentos das migrações dos comerciantes que carregavam consigo desde cera de abelha, ferraduras, ferramentas, armas, foram expostas estradas vikings e etc.


Sítios arqueológicos expostos em geleiras são mais prejudicados do que aqueles encontrados em camadas de gelo, pois os primeiros se movem e sofrem intensa renovação e couros, tecidos, pontas de flechas e outros materiais orgânicos são destruídos rapidamente. Descobertas impressionantes:


  • Arqueólogos escoceses descobriram um campo de guerra dos indígenas do ártico Yupiks, cujo o relato das guerras entre aldeias são passadas de geração em geração apenas pela fala. Nesse campo de guerra cavaram restos carbonizados de uma casa comunitária com mais de 60 mil artefatos, 2 cães e 28 pessoas entre mulheres, crianças e idosos que foram carregados para fora da casa e decapitados.

  • Noruega (2006), acharam evidencias da mitologia nórdica dos gigantes de rocha e gelo, através de um sapato da idade do bronze

  • Russia, os cientistas regeneraram o tecido reprodutivo do fruto de uma planta congelada há 32 mil anos que havia sido armazenada em uma toca de esquilo.

  • Sul do Chile (2014), foram descobertos dezenas de ictiossauros (peixe lagarto) perto do Tyndall Glacier no Parque Nacional Torres del Paine que viveram há 250 milhões de anos atrás. Em 2020 foi exposto pela geleira um deles no Reino Unido.

  • EUA (2010), arqueólogos acharam lança esculpida da madeira da árvore bétula (muito utilizada por suas propriedades farmacológicas e físicas) no Parque Nacional de Yellowstone datada de mais de 10 mil anos, sendo um dos artefatos orgânicos mais antigo recuperado.

  • Alasca e território Yukon, fósseis de insetos de três milhões de anos.

  • Sibéria (2018), um potro perfeitamente intacto de 42.000 anos — uma espécie de longa data conhecida como cavalo Lena — foi encontrado enterrado no gelo da Cratera Batagaika da Sibéria com urina em sua bexiga e sangue líquido em suas veias.

Esse conteúdo também esta disponível no formato podcast e no perfil @biologaroficial no instagram.


Até a próxima!

 
 
 

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