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Ecobag, o novo vilão?

  • Foto do escritor: biologar
    biologar
  • 9 de set. de 2021
  • 5 min de leitura

Quem nunca ouviu falar sobre o banimento da distribuição da sacolinha plástica pelo comércio, em especial em supermercados?


Em São Paulo, a Lei Municipal de proibição das sacolinhas 15.374/2011 foi regulamentada em 2015 e proíbe a distribuição gratuita ou venda de sacolas plásticas brancas não biodegradáveis em estabelecimentos comerciais para estimular os clientes a usar sempre a sua própria sacolinha e repensar sobre o uso das descartáveis. Os supermercados são proibidos de vender, inclusive, sacolas com a marca da loja: só podendo vender as sacolinhas biodegradáveis sem o logo da empresa, assim, evitando que o consumidor faça propaganda e pague por ela.


No Rio de Janeiro, desde 2009, a lei que diz que os comerciantes da cidade são obrigados a oferecerem alternativas às sacolinhas descartáveis não pegou. Não houve proibição da distribuição de sacolinhas como em São Paulo e a lei acabou caindo em desuso na cidade em 2017.


Por outro lado, há muitos países que aboliram o uso de sacolinhas plásticas como:

  • Bangladesh desde 2002 e a decisão foi tomada após violentas inundações entre 1988 e 1998 que mataram 2/3 da população do país já que as sacolinhas foram as culpadas pelo e entupimento dos bueiros. Mas a sacolinhas só chegaram no bueiro porque houve alguma falha no descarte, não? Ou as pessoas não tem cuidado ao jogar fora da forma certa ou o pais não tem um sistema de gestão de resíduo adequada, mas convenhamos que fica mais fácil justificar que sacolinhas entopem bueiros;

  • Quênia é outro local com uma das legislações mais radicais do mundo quando o assunto é a sacola plástica aprovada em 2017. A produção, o uso e a comercialização das sacolinhas pode ser motivo de prisão ou aplicação de uma multa de até 40 mil dólares. Na capital Nairóbi, foram registradas até 20 sacolas no estômago de uma única vaca da região. De novo, como que a sacolinha chegou no estômago da vaca?

  • Na África do Sul, desde 2003, as lojas não podem distribuir qualquer sacolinha plástica e os donos de estabelecimentos que descumprirem com o acordo podem ser até presos;

  • Ruanda (2008) é proibido qualquer tipo de saco plástico, algumas cidades indianas também estabeleceram a proibição de distribuir ou comercializar sacolinhas plásticas;

  • China baniu as sacolas em 2008;

  • A Itália foi o primeiro país do continente a banir as sacolinhas de vez desde 2011, só se pode utilizar sacolas biodegradáveis;

  • França recentemente decidiu banir, além das sacolinhas, os talheres, pratos e copos descartáveis;

  • Argentina proibiu as sacolinhas desde 2008 na província de Buenos Aires;

  • São Francisco foi a primeira cidade a adotar essa medida em 2007.

Nesses locais onde as sacolinhas plásticas foram banidas a opção fica com o uso de sacolas de papel, caixas de papelão ou a mais conhecidas ecobags, as sacolas de pano reutilizáveis! E é aí que queríamos chegar...hoje...em 2021, uma das manchetes do The New York Times desse mês é "Dificuldade no descarte torna sacolas de algodão novo problema ambiental". Depois do super incentivo a substituição das sacolinhas plásticas por ecobags de algodão, foi nomeado o novo vilão?


Você já parou para ver quantas ecobags você tem em casa?

Eu contei 9 e a grande maioria eu ganhei de brinde de alguma coisa e realmente essa foi a forma de marcas, lojas e mercados demonstrarem seu engajamento na causa, se chama branding. Mas sabe quantas vezes é necessário usar uma ecobag de algodão orgânico para ela se pagar quanto ao impacto ambiental de produção, uso energético e de recursos naturais? Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Alimentos da Dinamarca, 20 mil vezes o que equivale a 50 anos de uso diário de cada sacola.


Sabe qual a maior dificuldade? O descarte. Apenas 15% dos 30 milhões de algodão produzidos por ano de fato chegam aos depósitos têxteis, comentamos sobre isso na série de posts sobre Modas e Sustentabilidade. Ainda tem mais, sabe o logo das marcas impressos na sacola? São de tinta a base PVC, ou seja, são muito difíceis de decompor, não sendo possível reciclar. Além de que transformar tecido velho em tecido novo consome tanta energia quanto fabricá-lo.


Parece um dilema né, mas segundo a Fundação Ellen MacArthur isso "é um bom exemplo das consequências imprevistas de pessoas que tentam fazer escolhas positivas, mas não entendem a paisagem completa". Mas o uso de embalagem de algodão não é de hoje, tem o comércio de luxo de calçados, bolsas que vem com envoltórios protetores de poeira e atrito. O ponto é o uso indiscriminado da embalagem sobre embalagem, coisa que sempre foi comum com o plástico e hoje também com o algodão.


No fim, enquanto o algodão pode ter o impacto ambiental por uso de pesticidas, alto consumo de água; os sacos plásticos usam combustível fóssil que emite gases, não são biodegradáveis e ainda poluem os oceanos. O ponto é como usar esses materiais com parcimônia e da melhor forma possível até porque convenhamos, as sacolinhas plásticas que foram parar em bueiros ou estômago de animais não foram para lá sozinhas, certamente, houve alguma falha no processo de descarte seja o descarte incorreto ou o sistema de gestão de resíduos, concorda? E lembrar que é possível produzir sacolas de pano com outras matérias primas como a própria garrafa PET reciclada ou mix de algodão com cânhamo ou até algodão reciclado. Um parênteses aqui: embora o cânhamo e a maconha tenham origem da mesma planta, a Cannabis sativa, elas possuem diferenças genéticas e uma delas é que o cânhamo tem no máximo 0,3% de THC, o tetrahidrocanabial que é o princípio psicoativo, nível 33 vezes menor do que a concentração encontrada na maconha menos potente.


Mas vale a reflexão:


  • Será que todo produto precisa de sacola?

  • Só porque é de graça você precisa aceitar a ecobag?

  • Na maioria das vezes as pessoas sempre buscam alguma vantagem, seja porque é de graça ou porque vem de brinde, mas já parou pra pensar quantas dessas coisas você realmente usa? Ou o quanto você doa, deixa encostado na gaveta ou até joga no lixo?

Isso me lembra até o panfletos que as pessoas dão na rua sobre empreendimentos imobiliários, a maioria das pessoas nem tem interesse no tema mas acabam pegando e esse panfleto acaba no lixo.


Outra coisa são as ações imediatistas que não consideram o todo, tendência que cresceu com a chuva de informações que recebemos todos os dias. Não é uma orientação da internet ou 1 meme que são suficientes para você conhecer um tema afundo e tomar decisões. Não é a primeira vez que salientamos isso mas é importante se a ter ao artigos científicos e publicações confiáveis.


Esse conteúdo esta disponível no formato podcast, acesse através das plataformas de áudio ou através da plataforma do podcast +. E disponível também no @biologaroficial no instagram. Siga a gente para não perder nenhuma novidade!




 
 
 

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