Incríveis animais que migram, mas como?
- biologar

- 8 de jul. de 2021
- 5 min de leitura
E quem nunca ouviu falar nas longas migrações de algum tipo de animal e não ficou impressionado?
Mais de dois milhões de gnus migram do Parque Nacional Serengeti, na Tanzânia, para os pastos verdes da Reserva Nacional de Maasai Mara, no Quénia, entre julho a outubro. As zebras também as zebras fazem esta migração.
Pinguins imperadores que percorrem mais de 100km através do gelo só para se reproduzirem.
Milhões de borboletas Monarcas que vivem no leste da América do Norte voam até 2400 km para as florestas vulcânicas do México para passar o inverno.
A partir do Outono, observam-se grandes cardumes (por vezes, com mais de 10.000 indivíduos) de raias-manta, que migram para águas ao sul, do México até ao Brasil, onde passam o Inverno.
Até os caranguejos migram, sabia? Caranguejos vermelhos transformam a Ilha de Natal na Austrália num tapete vermelho em movimento. As movimentações em busca das praias são interrompiam as estradas, então foram criadas pontes por causa desta migração. Fenômeno parecido ocorre em Cuba e é impressionante! Mas lá não há pontes que servem de passagem para evitar a atravessar a estrada, então muitos morrem atropelados formando camadas de carne de caranguejo esmagada, o que acaba por atrair urubus e é algo tão comum entre os locais que eles não se importam em desviar ou parar o carro...simplesmente passam.
Recentemente na China uma manada de elefantes asiáticos têm intrigado os cientistas por terem embarcado em uma jornada nunca antes observada. Os elefantes começaram a se mover em direção ao norte, foram vistos em várias aldeias, vilarejos e cidades. Através do Deserto do Mali migram quase 480 km. Acredita-se que eles tenham começado sua jornada na primavera passada a partir da Reserva Natural Nacional de Xishuangbanna, no sudoeste do país, perto da fronteira com Mianmar e Laos e ninguém sabe a razão. Na China houve um esforço governamental contra a caça de elefantes e que ao contrário de outros países a população deles aumentou e em contra partida o habitat dele reduziu pelo crescimento da urbanização, então por enquanto estão atribuindo a busca por um novo território.
As baleias cinzentas têm a migração mais longa que qualquer outro mamífero, sabia? Elas viajam quase 20 mil km entre ida e volta a cada ano entre as águas quentes do México para os mares frios do ártico.
As tartarugas marinhas migram centenas de quilômetros entre o local onde nasceram e o local onde se alimentam. Quando as tartarugas estão no período reprodutivo retornam ao mesmo sítio onde nasceram.
Já os atuns são do grupo de peixes migratórios mais rápidos. Num período de apenas 20 meses, um atum fez uma viagem de 40 mil km com três travessias do Oceano Pacífico entre o Japão e os EUA.
As renas vivem em regiões do norte da Europa, América do Norte, Ásia, e Groenlândia. Todos os verões migram ainda mais para o norte, percorrendo cerca de 1000 km.
Lembra do peixe panga que comentamos no post sobre "os alimentos que estão sumindo de nossas mesas?", ele também é uma espécie migratória.
Os animais migram por diversos motivos:
- busca por alimento
- reprodução
- busca por temperatura mais agradável
- para hibernar
- Excesso de calor ou frio
- Excesso/falta de chuva
A migração envolve percursos na água, na terra ou no ar. Muitas aves e morcegos do hemisfério Norte voam na direção sul no inverno. Outras migrações são verticais. Por exemplo, os cervos-de-orelhas-longas do oeste dos Estados Unidos trocam as partes mais altas das montanhas por outras regiões mais baixas no inverno. Tem até algumas minhocas fogem da superfície do solo para as profundezas do subsolo.
Para executar essas longas viagens, os animais passam por um processo de preparo como por exemplo a mudança da disponibilidade de tempo de luz do dia e temperatura, iniciam a produção hormonal necessária para a troca de penas (no caso das aves), de pelos e sistema alimentar no intuito de armazenar energia para se protegerem na migração e mesmo assim, muitos animais podem morrer durante essa travessia. E esse preparo equivale ao nosso, se você vai correr uma maratona não é simplesmente sair correndo né, é necessário preparo.

As migrações podem ocorrer de dia ou à noite. Aves como os gansos voam durante o dia. Pardais, pequenas aves canoras e tordos viajam à noite. Ah e os ventos alísios que comentamos recentemente também estão bem ligados às migrações de animais por favorecerem a correnteza, seja de ar ou água.
Segundo um estudo, aves e mamíferos migratórios que gastam muita energia viajando longas distâncias para encontrar comida ou um lugar para procriar, morrem mais cedo do que as espécies sedentárias, mas têm mais descendentes. Essa pesquisa foi publicada em novembro de 2020 pela revista científica Nature Communications que analisou mais de 700 espécies de pássaros e 540 de mamíferos e concluiu que do ponto de vista evolutivo, nenhum modo de vida é melhor que outro. Stuart Bearhop, professor da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e um dos autores do estudo afirma que "são apenas duas formas diferentes de lidar com os problemas da existência".
Existem grupos diferentes de uma mesma espécie que adotam as duas forma de vida: a migratória e a sedentária, será que o homem se enquadra aí? O que você acha?
Pode ser sim, embora a gente consiga se fixar bem em um local, será que nesse frio que tem feito muitos gostariam de estar se esbaldando no calor do nordeste nesses dias?
Durante a migração, os animais conseguem se orientar ao longo de rotas longas e complexas. Eles usam acidentes geográficos, como rios e montanhas, para saber onde estão. Cientistas acham que muitos animais usam também a posição do Sol e das estrelas para achar seu caminho. Certos animais, como o salmão, usam o sentido do olfato. Sabemos que o sistema de localização e capacidade de georreferenciamento desses animais está também relacionado com a capacidade de perceber os campos magnéticos da terra, ou seja onde está o norte da terra, mas até hoje não se sabe exatamente como esse sistema funciona. Partículas de óxido de ferro dentro das células podem atuar como “agulhas de bússola microscópicas”, como é o caso de algumas espécies de bactérias mas qual o local do corpo e como essa informação chega ao cérebro ainda está em descoberta.
Outros estudos recentes com o rato-toupeira de Ansell, parente dos conhecidos ratos-toupeira nus que vivem nos elaborados sistemas de túneis subterrâneos, sugerem que o sentido magnético é encontrado no olho. E pesquisas com morcegos migratórios realizados pelo Instituto Leibniz para Zoos e Pesquisa da Vida Selvagem, publicados em conjunto a Bangor University (Reino Unido) e a Universidade de Ciências da Vida e Tecnologias (Letônia), apontam que as células bússolas magnéticas microcópias estão presentes no olho e mais especificamente na córnea e não dependem da capacidade de visão!
São centenas de espécies migratórias descritas e o link da lista atualizada e completa estará disponível na plataforma do podcast mais e também em nosso instagram @biologaroficial:
No Brasil, um dos grandes impactos que afeta as aves migratórias é a construção de parques eólicos e há uma série de protocolos ambientais para a construção dos mesmos. Como esse tipo de monitoramento exige longos estudos para serem confirmados, e quando a gente diz longos são décadas, já dá para imaginar a dificuldade diante de como é o sistema de financiamento e formação de equipes em pesquisas brasileiras. O ponto é que diversas espécies de plantas, insetos, crustáceos e outros animais dependem da movimentação gerada pelos animais migratórios, seja através da alimentação, da dispersão de sementes e de inúmeros outras razões É o que sempre falamos aqui..vivemos todos ligados em uma grande rede.
Imagem: Veronika Andrews




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