Plástico não reciclável
- biologar

- 24 de jun. de 2021
- 5 min de leitura
E não é o primeiro post que falamos sobre plástico, microplástico e o quanto isso afeta não só ao meio ambiente como a nós mesmos. Já falamos sobre "canudinhos", "Glitter" e recentemente falamos sobre a reciclagem energética e chamamos atenção para o tipo de material mais utilizado nesse processo: o plástico! O que poderia ser até uma forma de aproveitar melhor esse material.
Com certeza o plástico estará presente em diversos outros posts até porque ele foi desenvolvido com o objetivo de facilitar nosso dia-a-dia acabou se tornando um dos maiores problemas ambientais do planeta. Pode ser encontrado em qualquer lugar, desde calçadas, esgoto até nas profundezas do oceano. Recentemente foi encontrado circulando até na nossa cadeia alimentar por onde entra em nossa circulação sanguínea a ponto de ter sido detectado até na placenta humana!

A reciclagem comum de plástico apresenta baixa eficiência, apenas 9% do plástico reciclado é transformado em novos utensílios plásticos. Com esse pensamento não é difícil chegar a pergunta: "então como desenvolver um processo que possa cumprir 100% com nossas necessidades?"?
E é essa pergunta que os próprios engenheiros de polímero químico investigam, afinal eles que criaram a receita de como transformar petróleo em plástico, agora pesquisam em como fazer o processo inverso: como transformar o plástico em petróleo.
Veja duas soluções em desenvolvimento:
A reciclagem química tem se tornado um processo viável à reciclagem convencional. O problema é que esse processo demanda muita energia somado ao preço volátil do petróleo bruto é mais fácil produzir novos produtos plásticos do que reciclar o plástico existente.
Anualmente mais de 380 milhões de toneladas de plástico são produzidos e apenas:
16% desse volume é reciclado de forma adequada
40% é direcionado para aterros sanitários
25% é incinerado
19% é descartado por aí
O plástico tipo PET é facilmente reciclado, mas ainda tem gente que acha que existe contaminação por restos de alimentos o que não procede e esse material acaba indo p/ aterro sanitário. Diferente daquele plástico mais fino, geralmente usado para embalar alimentos que é composto por diferentes tipos de plásticos o que dificulta a reciclagem. Outro ponto são os plásticos jogados por aí nas ruas que acabam indo parar nos rios e oceanos, e é para esse tipo de material que a reciclagem química se aplica: reciclar o não reciclável. Dessa forma todo e qualquer tipo de plástico, independente de cor ou composição poderia ser ser transformado de volta em óleo, para que eles possam ser usados para fabricar plástico novamente em um ciclo infinito.
Hoje, o processo de reciclagem do plástico se baseia na separação, limpeza, trituração, derretimento e remodelação. O ponto é que cada vez que o plástico é reciclado se perde a qualidade do material, isso porque durante o derretimento as cadeias de polímeros são parcialmente quebradas diminuindo a resistência e viscosidade, dificultando o reprocessamento. Assim, o plástico reciclado apresentará menor qualidade o que muitas vezes impede que seja reutilizado para o mesmo fim, além da limitação do número de vezes de reciclagem pois se torna inutilizável.
Há 2 processos em desenvolvimento para resolver esse problema:
No Reino Unido pela Mura Technology, eles desenvolveram um processo de reciclagem química: 1º os fardos de plástico de diferentes tipos são direcionados para a usina, lá, passam por uma triagem inicial para remover quaisquer contaminantes inorgânicos, como vidro, metal ou areia e contaminantes orgânicos, como resíduos de alimentos ou de solo. Depois o plástico é picado, limpo e misturado com água que já contém algumas substâncias químicas.Essa mistura entra em um sistema de alta pressão para "cozinhar". Após essa cocção ele é despressurizado e os resíduos saem dos reatores. ahh a maior parte do líquido evapora. E este vapor quando resfriado por destilação gera um líquido que pode ter seus componentes separados de acordo com a temperatura de ebulição produzindo quatro hidrocarbonetos líquidos e óleos: nafta, gás óleo destilado, gás óleo pesado e betume que é o resíduo de cera pesada. Esses produtos são encaminhados para a indústria petroquímica.Traduzindo: mais de 99% desses 4 compostos podem se transformar em plástico útil! Aqui não posso deixar de comentar, sei que a intenção de quem tenta reutilizar o plástico é super nobre e eu tento replicar algumas coisas em casa, mas ficar transformando garrafa PET em vaso, luminária, esta longe de ser a solução do problema, é uma solução paliativa que só atrasa o descarte desse material no sistema que existe hoje.Assim como para a reciclagem energética, os gases quentes e excedentes gerados durante o processo são usados para aquecer a água, aumentando sua eficiência energética para o máximo de proveito.Outra possibilidade para o plástico que tem sido estudada é transformá-lo em combustível de avião.
2. Um outro estudo feito por pesquisadores da universidade norte americana Washington State University tenta desenvolver um processo que transforme o plástico em combustível de aviação em menos de uma hora! Surpreendente né!Oh! E o plástico que falamos aqui é o polietileno, utilizado na fabricação de sacola de mercado, garrafa PET, aquele plástico fininho usado para embalar alimento. Material semelhante ao que pode ser direcionado para reciclagem química. A atenção esta voltada para esse material porque ele representa 1/3 de todos objetos plásticos produzidos no mundo.Nesse processo junta-se o plástico + solvente + catalizador a base de rufeno. Essas substâncias químicas já são bastante conhecidas, mas 2 coisas chamaram atenção...1º a rapidez para conclusão do processo: em 1h, 90% do plástico usado nos teste foi convertido em combustível
2º tudo isso em uma temperatura de 220°C, temperatura considerada baixa para esse tipo de processo.
Parecem processos bastante interessantes, mas ambos receberam críticas:
Um pelo possível alto custo de transformação do material, o outro por transformar o plástico em combustível que será queimado e emitirá CO2 na atmosfera. Por outro lado a usina ainda esta em desenvolvimento mas é um bom exemplo de economia circular, onde menos de 1% de recurso natural é desperdiçado.
Há quem diga que mesmo que o plástico possa ser reciclado e se tornar combustível, ele continuará contribuindo com a emissão de poluentes nas atmosfera. Claro que isso tem razão, mas acho válido enfatizar que esse combustível foi originado de uma embalagem plástica que poderia ter ido parar em um aterro sanitário ou no fundo do oceano. Isso não poderia ser considerada uma 2ª chance pro material? Ou uma forma de reuso? Podemos estar longe do perfeito equilíbrio mas enquanto existirmos será impossível zerar todo e qualquer impacto ambiental, precisamos dos recursos naturais para sobreviver. Acredito que o ponto seja qual a melhor forma de utilizar esses recursos.São soluções interessantes! O único ponto é que essas tecnologias estão em fase de pesquisa, desenvolvimento e testes. Daí, outro ponto de atenção seria o custo desse processo, as máquinas, mão de obra especializada, construção e implementação...se a "reciclagem energética" é um recurso utilizado desde 1980 e até hoje não esta disponível no Brasil em escala comercial, é difícil estimar quando um processo como esse iniciaria aqui no pais.
Toda e qualquer solução deve ser bem vinda e analisada para entendermos os prós e contras para fazer a melhor escolha! Até porque muito material que chamamos de lixo na verdade não é, ele só precisa de um processo adequado para reutilização ou reciclagem!E você, o que acha?
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Fonte: BBC; Circular Online




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