Reciclagem energética
- biologar

- 3 de jun. de 2021
- 4 min de leitura
Em posts anteriores já abordamos sobre reciclagem de isopor, fraldas, resíduos de construção civil que são temas um pouco mais comuns no nosso dia-a-dia. Mas já ouviu falar sobre reciclagem energética?
É um processo já utilizado por muitos países desenvolvidos que chegaram até a extinguir os aterros sanitários com o processo de reciclagem energética. Ele consiste em aproveitar o alto poder calorífico presente nos resíduos transformando-o em energia térmica ou elétrica. A queima do material gera um vapor que movimenta as pás de uma turbina e proporciona o movimente giratório e através das alterações no fluxo do campo magnético é produzida a energia que pode ser utilizada nas indústrias e residências.
As primeiras usinas de reciclagem energética surgiram em 1980 e hoje esta presente em mais de 30 países. Os EUA, por exemplo, possuem quase 100 usinas para esse fim que fornecem energia elétrica para mais de 2 milhões de residências! A Europa conta com 420 usinas, o Japão tem 249 e a Suíça tem pelo menos 27 usinas dedicadas a esse tipo de reciclagem.
Em geral os resíduos são direcionados para esse processo porque já não podem ser reutilizados ou reciclados de forma física, biológica, ou química. Alguns exemplos são: restos de alimentos, materiais higiênicos descartáveis, plásticos e muitos outros. Curiosamente, o material mais encaminhado para esse processo é o plástico isso porque embora seja de fácil reciclagem há diferentes composições. Para você ter uma ideia 1 kg de plástico transformado equivale a 1 kg de óleo combustível (lembre-se que plástico possui por matéria-prima o petróleo). Essa quantidade representa:
- 24 minutos de uso de um secador de cabelos
- 20 min de uso de uma máquina de lavar
- quase 3h de funcionamento de 1 geladeira
- quase 6h de uso de uma tv
Bastante energia elétrica! E não é só isso, ao final do processo de queima ainda há outros pontos interessantes, como:
redução de até 90% da massa do material, sobrando a chamada substância inerte (cinzas). essas cinzas podem ser usadas na construção civil
esse processo não gera nenhum efluente líquido porque a água usada na lavagem é neutralizada e reutilizada
os gases poluentes gerados são tratados no próprio sistema de lavagem e de purificação de gases, sobrando apenas monóxido de carbono e vapor
Como todo processo, há vantagens e desvantagens, vamos conhecê-las?
Vantagens:
- é meio claro que minimiza o problema dos lixões e de espaço para aterros sanitários, tanto que muitos países já substituíram aterros pelas usinas de reciclagem energética

- devido a tecnologia é possível instalar usinas próximas aos grandes centros e o que significa menor custo de transporte. Já se perguntou onde estão localizados os aterros hoje? Em geral, longe dos grandes centros
- é uma alternativa recomendada pela ONU - possui um ciclo fechado e mesmo gerando cinzas e gases tóxicos eles são são administrados dentro do próprio processo
- não é necessário nenhum tratamento prévio para os resíduos - pode ser considerado um método de higienização por eliminar agentes biológicos até de material hospitalar
Desvantagens:
- comparando com os demais processos de reciclagem possui alto custo
- custo para instalar uma usina é muito alto;
- não há nenhum incentivo para as indústrias em destinar os resíduos gerados para as usinas de reciclagem
- o custo da energia gerada é mais alto que de outras fontes o que torna menos competitiva no mercado, em especial no Brasil que possui hidrelétricas. Só seria competitivo caso houvesse um incentivo governamental nos impostos.
Antes que você pergunte, não, no Brasil ainda não tem usina de reciclagem em escala comercial. O que temos por aqui é Usina Verde que fica no campos da Universidade Federal do Rio de Janeiro e tem caráter experimental.
Antes de concluirmos nossa conversa quero relembrar que esse processo em Usina de Reciclagem é usado em sua maior parte para os materiais cuja destinação é o aterro sanitário, ou seja, o reuso e a reciclagem ainda é prioridade para os demais materiais.
Uma última curiosidade, a Noruega possui esse tipo de processo e adivinha? Chegou um momento que não havia resíduos disponíveis no país para a queima e geração de energia e sabe o que eles precisaram fazer? Comprar resíduo de outros países...pois é, se o Brasil não fosse tão distante da Noruega, seria uma ótima oportunidade. Quem sabe a Política Nacional de Resíduos Sólidos ajude a ter esse tipo de solução em um futuro não muito distante.
Com certeza, é fácil imaginar quantos ganhos poderíamos ter, além de não criar novos aterros sanitários que demandam além de espaço muito cuidado e atenção no seu gerenciamento, a possibilidade extinguir os lixões, com um ganho ambiental, ganho de espaço, valorização imobiliária do entorno. Poderia até incentivar a recolha de lixo descartado indevidamente em mares, rios, áreas verdes. Desencadeando vários processos que favoreçam o restabelecimento de um equilíbrio até relacionado ao post sobre animais que perdidos na praia.
Se você tem interesse em algum tema que ainda não foi abordado por aqui, deixe uma mensagem pra nós pelo perfil @biologaroficial no instagram. Esse conteúdo também esta disponível em podcast (acesso pelas plataformas de áudio) e até a próxima!
Fontes: VG resíduos; e-cycle;




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