Rinha de animais, sabe por que ela existe?
- biologar

- 2 de set. de 2021
- 3 min de leitura
A rinha de animais é como se fosse uma luta livre entre dois oponentes e existe até uma organização semelhante a um UFC com arena, juízes apostas milionárias, uso de hormônios e ferramentas de brigas, viagens internacionais para disputa entre países e muito dinheiro envolvido.
Existe rinha de diversos tipos de animais: rinha de pitbull, rinha de galo, rinha de canário, rinha de curió, tem rinha de besouro (e acredite, lá no japão tem deles que valem 19 mil reais), tem até rinha de peixe! Entre os cães há animais que valem até 200 mil reais.

As rinhas tem origem há muitos séculos, existem relatos de rinhas de galo desde 1400 a.C. na Índia e depois Grécia. Já entre cachorros ela começou desde antes de começarem intercruzar os animais para criação das raças nos países asiáticos. A razão da origem é uma mistura entre entretenimento, estimulo à violência entre guerreiros, mas o principal motivo para perdurar até hoje é mesmo o dinheiro.
A rinha já foi considerada um esporte e hoje é proibida em muitos países mas alguns países como Porto Rico ainda é permitido. No Brasil, por exemplo, a rinha de galo chegou ao país no século 17 com os espanhóis e ganhou muitos adeptos. Em 1961, foi proibida pelo então presidente Jânio Quadros e um ano depois voltou a ser legal por ordem de Tancredo Neves. A partir de 1998 foi considerada crime ambiental com a Leis do Crimes Ambientais. Os EUA, Argentina e Inglaterra, entre outros países, também proíbem a briga de galo. Porém, apesar disso ainda acontecem rinhas clandestinas. Devido a essa situação ilegal, no geral, os criadouros não seguem normas sanitárias de limpeza, higiene e tamanho de criadouros. Utilizam duras manobras de treinamentos e medicações para estimular a musculatura mas que prejudicam a saúde do bicho, os animais são obrigados a utilizar acessórios presos ao corpo para aumentar a capacidade de ferir o oponente e após a briga os animais mutilados muitas vezes não tem atendimento se as chances de ter lucro novamente com o mesmo não existir.
Em 2020 foi assinada outra lei que define que a prática de abuso e maus tratos a animais será punida com pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e a proibição de guarda. Até então a pena previsa de três meses a um ano de reclusão e que raramente era cumprida. A legislação abrange animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, incluindo, aí, cães e gatos, que acabam sendo os animais domésticos mais comuns e as principais vítimas desse tipo de crime. Aliás aqui já tem um post que esclarece a diferença entre animais domésticos, domesticados e silvestres, confira!
Existem relatos de pessoas esclarecidas tanto sobre esse assunto das rinhas, quanto de criadores de animais silvestres clandestinos que dizem "nossa mas eu já vi eles tratando muito bem os animais, dando as melhores rações e com atendimento veterinário melhor que muitos outros, é do interesse deles que os animais esteja bem....". Está mais do que na hora de pensarmos de forma mais ampla, pois, os animais silvestres tem um papel ecológico e sustentam toda a floresta em pé quando estão presentes lá, ou seja, tirá-los de lá para vender, mesmo que o animal seja bem tratado (o que convenhamos não ocorre na maioria dos casos) não vai suprir o papel ecológico que ele faria solto.
Ainda sobre as rinhas, Robis Nassaro, doutor em Ciências Policiais e pesquisador da Teoria do Link, que relaciona a violência contra animais às pessoas. Conta que por essa teoria nascida nos Estados Unidos, quanto mais ensinamos crueldade animal aos nossos filhos (seja ao cometer, ignorar ou incentivar como nas rinhas), maior é a tendência de que eles passem a ser cruéis com animais e ultrapassem a barreira animal e atinja as pessoas. Portanto, as rinhas podem afetar diretamente questões muito mais complexas do que apenas aquelas envolvidas apenas nas arenas de brigas, ultrapassando inclusive gerações e gerações de relações humanas conturbadas, violência e criminalidade.
E por fim, se você presenciar rinhas sabe como ajudar? Não precisa ter medo porque o autor do processo judicial será o estado e não você! Existem diversos canais oficiais alguns deles são:
Polícia Militar: 190 ou registre um boletim de ocorrência na delegacia
Disque Denúncia: 181
IBAMA (no caso de animais silvestres) - Linha Verde: 0800 61 8080;
Site do Ministério Público e assim por diante.
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