Silvestre ou doméstico?
- biologar

- 25 de mar. de 2021
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Independente de doméstico ou selvagem, todos os animais são protegidos por lei sendo que para cada grupo existe normatizações específicas.
São considerados animais domésticos aqueles listados na Portaria 1.489/2019, uma atualização da listagem na Portaria 93/98 que define diferenças desses grupos. Basicamente, são considerados animais silvestres brasileiros todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiros ou águas jurisdicionais brasileiras. Exemplos: papagaio-verdadeiro, curió, coleirinha, trinca-ferro, sagui, jabuti, iguana.
Fauna silvestre exótica são todos os animais pertencentes às espécies ou subespécies cuja distribuição geográfica não inclui o território brasileiro. Exemplos: naja, zebra, javali, leão, caramujo africano. E também as espécies introduzidas pelo homem (inclui até animais domésticos asselvajados) como o ferret/furão, ouriço pigmeu, lebres.
Animais domésticos são todos aqueles que através de processos tradicionais e sistematizados de manejo e melhoramento zootécnico tornaram-se domésticas, apresentando características biológicas e comportamentais em estreita dependência do homem, podendo apresentar fenótipo variável, diferente da espécie silvestre que o originou. Exemplo: periquito australiano, calopsita, abelha européia, porco, lhama, gado, peru, pombo, bicho-da-seda, patos, galinhas. Animais criados e selecionados há milhares de anos pelo homem para fins produtivos, tração, subsistência ou de companhia como cães e gatos.
Dúvida clássica: o papagaio da minha vizinha é doméstico?
Não! Tome cuidado para não confundir o termo "animal doméstico" com "animal em estado domesticado". No geral as pessoas consideram apenas a parte da lei que diz que é o animal com características de estreita dependência do homem e ignoram o restante. O que pode ter tornado esse animal dependente é a forma como é cuidado, em um espaço pequeno sem condições para desenvolver musculatura de voo e resistência cardio-respiratória ou ainda a alimentação baseada apenas em girassol, pão, fuba e arroz trazidos em forma de compensação pelo canto ou fala. Porém, esse animal não apresenta características biológicas diferentes do animal silvestre que o originou então nada diferente seria levado à prole caso dê cria. Além de que com manejo adequado esse animal poderia retornar à natureza.
Qual origem da domesticação?
Após a era do Gelo, o homem caçador-coletor começou a explorar mais os ambientes. Eles montavam acampamentos conforme a frutificação e acabavam levando alguns animais para servirem de tração ou alimento e espalhando sementes nas migrações.
A domesticação do trigo, tem sua primeira evidência 12,5 mil A.C. quando o homem provavelmente se viu sem muitas opções de alimento e observou animais que se alimentavam dessa gramínea. No entanto, no estado silvestre quando o trigo esta a ponto da colheita ele já caiu no chão ou era levado pelo vento. Percebeu-se também que o nascimento do trigo era favorecido em áreas de desmate que o homem mesmo havia feito para assentar acampamento. Ali, começaram a preferir acampar na época da maturação. Com o tempo foi notado que havia nascido uma variável (originária de uma mutação) onde os frutos maduros permaneciam na espiga, o que facilitava a colheita e aumentou a quantidade de alimento. O alimento em abundância sem a necessidade de buscar outros locais para acampar iniciou o período chamado Sedentarismo. Hoje em dia, o trigo plantado para nossa alimentação depende totalmente do homem, pois, sem a colheitadeira as suas sementes não se soltam.
Nesse mesmo período houve a domesticação da cabra (Irã), do cavalo (Arábia), da ovelha ( Iraque), do porco (China).
Um caso de domesticação no Brasil é o abacaxi. Cultivado desde 4 mil anos A.C. pelos índios exploradores e através de canoas foi levado para as ilhas caribenhas, onde Cristóvão Colombo conheceu a fruta em 1493. Depois os espanhóis conheceram o abacaxi e apelidaram por pinã (pela semelhança da casca) que mais tarde em inglês virou pineaple.
O abacaxi foi espalhado pelo mundo inteiro pelos portugueses. Mas o abacaxi silvestre tinha a semente maior e era menor. Hoje em dia ele é cultivado principalmente na Asia e aqui, além da Africa e Oceania. Leia mais sobre esse assunto aqui.
Como legalizar um animal silvestre?
Não se legaliza. Se o animal foi adquirido em qualquer outro lugar que não seja um criadouro comercial registrado no IBAMA e não possui nota fiscal identificando o criadouro, o animal e seu microchip (ou anilha , no caso de aves), se trata de um animal de origem ilícita e ele pertence à União.
Você pode fazer uma entrega voluntaria para o IBAMA, policia militar ambiental ou Centro de triagem de animais silvestres (CETAS) sem que sejam incorridas multas. Não é incomum vendedores de animais silvestres alegarem que é possível legalizar depois da compra, mas é mentira. Dependendo do estado, por exemplo no caso no Paraná, existe o Termo de guarda de animais silvestres, para pessoas que não possuem nenhum animal e assumem voluntariamente a guarda de animais silvestres apreendidos quando não há opção de destinação nos termos da lei. Fica claro que essa solução surgiu pela falta de destinação e transporte adequados para centros especializados em animais silvestres e posterior soltura em áreas adequadas. Entretanto, animais silvestres requerem cuidados especializados, espaço e o tutor precisa ter em mente que a humanização dele só vai prejudicar.
Sabemos que mesmo se houvesse uma legislação eficiente, o cumprimento das penas e fiscalização eficiente e locais adequados para acomodar todas as apreensões ainda existiriam aqueles que se classificam com direito de obter um animal, iriam atrás dos seus direitos. O objetivo é instigar a reflexão entre amar o animal e desejar o melhor para ele ou possuir um por perto porque gosto muito dele, e se esse for o caso, que se faça de forma responsável, segura e pensando no bem estar do mesmo.
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